Eis o relato que o artista ao acordar nos deixou do seu sonho:

«Na noite de quarta para quinta-feira depois de Pentecostes (7-8 de Junho de 1525), vi em sonhos o que representei neste esboço: uma multitude de trombas de água caindo do céu. A primeira atingiu a terra a uma distância de quatro léguas: o abalo e o ruído foram aterradores e toda a região ficou inundada. Fiquei tão impressionado que acordei. Depois as outras trombas de água, assustadoras em violência e em número, atingiram a terra, umas mais longe, outras mais perto.Caíam de tão alto que pareciam descer lentamente, mas, quando a primeira tromba se aproximou da terra, a sua queda tornou-se tão rápida e acompanhada de um tal barulho e vendaval que acordei todo a tremer e levei muito tempo a recompor-me. Assim que me levantei pintei o que aqui se vê. Deus encaminha tudo pelo melhor.»

Marguerite Yourcenar, O tempo esse grande escultor, tradução de Helena Vaz da Silva, Difel, Lisboa,2006

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