Desque la cantadera dize el cantar primero, Siempre los pies bullen, e mal para el pandero… Texedor e cantandera nunca tienen los pies quedos, En telar e en la dança siempre bullen los dedos Arcipreste de Hita, Libro de Buen Amor, séc.XIV

Cadeiral da catedral de Sevilha, dançarinos mouriscos, (1464-1478)

Descendentes das puella gaditanae, que tanta alegria proporcionaram nas sobremesas romanas, estas soldadeiras medievais tinham um status mais controverso. Tanto faziam parte da marginalidade errante entre as minorias muçulmanas e judaicas, como eram alvo de apadrinhamento oficioso, por parte de monarcas e nobres, para animarem entremezes de corte.

[Músico e bailarina mourisca, portal manuelino da igreja matriz do Alvor.

Neste caso, os dedinhos da bailadeira movem-se mais que os pés, em promessa de oferta, para depois da serenata]. No Libro de los Exemplos criticavam-se estas danças:   Bailes e cantares en las fiestas Nín en otro tiempo son honestas”.

Mas, está visto que todos lhes faziam orelhas moucas. Para as festas do casamento de príncipe D. Afonso, filho de D. João II, mandou o rei

“que de tôdalas mourarias do Reino viessem às festas tôdolos mouros e mouras que soubessem bailar, tanger, cantar.»*

E assim se foi bailando, entre o sobrado do paço e o adro da igreja, até que os novos tempos trouxeram mão mais pesada, e com ela a “apagada e vil tristeza”.

*Garcia de Resende, Crónica de D. João II e Miscelânea, Lisboa, Imprensa Nacional Casa da Moeda, 1973, Cap. XLIV, pp. 120. consultar:
Isabel Mateo Gómez,Temas profanos en la escultura gótica española: las sillerías de coro, Consejo Superior de Investigaciones Científicas, Instituto Diego Velázquez, Madrid, 1979 Cid Priego, “Fiestas, Juegos y Espectáculos en la España Medieval. Las Fiestas Juglarescas en la España Medieval”,in Fiestas, juegos y espectáculos en la España medieval: actas del VII Curso de Cultura Medieval, celebrado en Aguilar de Campoo (Palencia) del 18 al 21 de septiembre de 1995], 1999, pags. 93-110.;
Maria Manuela Braga, “Alguns dados para o entendimento da iconografia do portal da igreja matriz do Alvor”, Medievalista , IEM, ano 3 ● número 3 ● 2007

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