Robert Smithson, (Passaic, Nova Jersey, 2 de Janeiro de 1938 — Texas, 20 de Julho de 1973)

Utopia- interior/exterior
Ocupação de espaço interno- non-site; ideia exterior a ele- site
Viagem entre estes dois polos- suspensão
«A Linguagem devia procurar-se a ela própria no mundo físico, e não acabar fechada numa ideia na cabeça de alguma pessoa.»Robert Smithson

Analogias bidimensionais ou metáforas
Não-lugar é a Viagem entre o espaço real e o espaço metafórico.

Non-Sites
Desenhando um diagrama, um pedaço de chão, um plano de uma casa, um mapa de uma rua, ou um mapa topográfico, está-se a desenhar uma “figura lógica bidimensional”.
Uma” figura lógica” difere da natural ou da pintura no facto de que raramente se assemelha à coisa que se aproxima.
Por isso é uma bi-dimensional analogia ou metáfora- A é Z.
NONSITE (an indoor earthwork)
Photostat, 12 1/2 x 10 1/2″ Robert Smithson

A NONSITE, PINE BARRENS NEW JERSEY winter 1968 blue aluminum with sand aerial photograph/map 12 h x 16 1/2 x 65 1/2 Collection of Virginia Dwan
A NONSITE, PINE BARRENS, NEW JERSEY winter 1968 blue aluminum with sand, aerial photograph/map 12″ h x 16 1/2″ x 65 1/2“ Collection of Virginia Dwan

Pine Barrens

A Provisional Theory of Non-Sites

«The Non-Site (an indoor earthwork)* is a three dimensional logical picture that is abstract, yet it represents an actual site in N.J. (The Pine Barrens Plains). It is by this dimensional metaphor that one site can represent another site which does not resemble it – this The Non-Site. To understand this language of sites is to appreciate the metaphor between the syntactical construct and the complex of ideas, letting the former function as a three dimensional picture which doesn’t look like a picture. “Expressive art” avoids the problem of logic; therefore it is not truly abstract. A logical intuition can develop in an entirely “new sense of metaphor” free of natural of realistic expressive content. Between the actual site in the Pine Barrens and The Non-Site itself exists a space of metaphoric significance. It could be that “travel” in this space is a vast metaphor. Everything between the two sites could become physical metaphorical material devoid of natural meanings and realistic assumptions.
Let us say that one goes on a fictitious trip if one decides to go to the site of the Non-Site. The “trip” becomes invented, devised, artificial; therefore, one might call it a non-trip to a site from a Non-site. Once one arrives at the “airfield”, one discovers that it is man-made in the shape of a hexagon, and that I mapped this site in terms of esthetic boundaries rather than political or economic boundaries (31 sub-division-see map).

This little theory is tentative and could be abandoned at any time. Theories like things are also abandoned. That theories are eternal is doubtful. Vanished theories compose the strata of many forgotten books.
The space is both crystalline and collapsible. In the rose piece the floor hovers over the ceiling. Vanishing points are deliberately inverted in order to increase one’s awareness of total artifice.

The commonplace is transformed into a labyrinth of non-objective abstractions. Abstractions are never transformed into the commonplace. All dimensionality is drained off through the steep angled planes. The works feed back in infinite numbers of reflected “ready-mades.”»
from Unpublished Writings in Robert Smithson: The Collected Writings, edited by Jack Flam, published
Robert Smithson-« If art is about vision, can it also be about non-vision.»
Enantiomorphic Chambers,1965
ENANTIOMORPHIC CHAMBERS, 1965.

*Enantiomórfico- do grego- enántios= contrário+ morphé= forma

I was dealing with grids and planes..empty surfaces. The crystalline forms suggested mapping.
O “espaço qualquer“- Deleuze-

«é a parte do acontecimento que não se reduz ao estado de coisas determinado; é o mistério desse presente recomeçado»
Giles-Deleuze, Cinema-a-Imagem Movimento, 1983.

Cézanne e os seus contemporâneos foram forçados a sair dos estúdios pela fotografia. Estavam em competição com a fotografia, por isso foram para locais; porque a fotografia torna a Natureza um conceito impossível. De alguma forma mitiga todo o conceito de Natureza naquele em que a terra que depois da fotografia se torna mais de um museu. Os geólogos falam da terra como “um museu”; do “abismo do tempo” e tratam-na em termos de artefacto. A recolha de fragmentos de civilizações perdidas e a recolha de rochas faz com que a terra se torne uma espécie de artifício.

«On n’est ni trop scrupuleux, ni trop sincère, ni trop soumis à la nature; mais on est plus ou moins maître de son modèle et surtout de ses moyens d’expression.» Cézanne.

«Photography squares everything. Every kind of random view is caught in a rectangular format so that the romantic idea of going to the beyond, of the infinite is checked by this so that things become measured. The artist is contorting, distorting his figures instead of just accepting the photograph.

« I do think an interesting thing would be to check the behavior of Cezanne and the motivation to the site. Instead of thinking in formalist terms – we’ve gotten to such a high degree of abstraction out of that – where the Cubists claimed Cezanne and made his work into a kind of empty, formalism, we now have to reintroduce a kind of physicality; the actual place rather than the tendency to decoration which is a studio thing, because the Cubists brought Cezanne back into the studio.
It would be interesting to deal with the ecology of the psychological behavior of the artist in the various sites from that period. Because in looking at the work today, you just can’t say its all just shapes, colors and lines. There is a physical reference, and that choice of subject matter is not simply a representational thing to be avoided. It has important physical implications. And then there is Cezanne’s perception: being on the ground, thrown back on to a kind of soil. I’m reversing the perspective to get another viewpoint, because we’ve seen it so long now from the decorative design point of view and not from the point of view of the physicality of the terrain.That perception is needed more now than the abstract because we’re now into such a kind of soupy, effete thing. It’s so one sided and groundless

Fragments of a Conversation, edited by William C.Lipke. February 1969

«mirror in a sense is both the physical mirror and the reflection” it is “a concept and abstraction”… a displacement “of properties”»

Deslocações

Ithaca Mirror Trail, Ithaca, New York 1969
Ithaca Mirrors

O mapa descreve uma área da da costa de Cayuga no Estado de New York. Começando em Andrew Dickson White Museum na Universidade de Cornell, em Ithaca, Smithson transportou o espelho em direcção ao nortepara Cayuga Salt Works.
Em oito locais, marcou o mapa com letras, colocou o espelho na paisagem e fotografou-o.
As imagens do espelho não pretendiam registar os locais mas, antes, mostrar a natureza reflectida em si mesma.

Ithaca Mirrors2

«Uso um espelho porque o espelho é, num certo sentido, simultaneamente o espelho físico e o reflexo: o espelho é um conceito e uma abstracção; então o espelho tem um facto dentro do espelho do conceito.
Há uma separação de outra espécie do conteúdo, delineando uma ideia. Mas a unidade bipolar dos dois lugares mantêm-se.

Ithaca Mirrors

Aqui é que o site/non-iste aparece acompanhado pelo espelho como um conceito-espelhar- o espelho a ser dialéctico .
O espelho é uma deslocação; um abstracção absorvendo, reflectindo o sítio de uma forma muito física. É um acrescento a um sítio. Mas eu não deixo os espelhos lá. Trago-os.

Ithaca Mirrors 4

Há um fina diferença entre o sítio/não sítio coisa. Na minha cabeça ainda não se separou totalmente dele próprio. É outro nível do processo que estou a explorar. Um método diferente de conteúdo»
Querem um espelho, eu dou-vos um espelho. Mas o espelho vai apenas reflectir outros espelhos ou tornar-se um objecto suficiente por si próprio?
Metáfora- sobreposição- olhar para um espelho e olhar pela janela.
Transparência e espelhar- ambas perdem as suas estruturas separadas ->
Tornam-se ->
duas estruturas fundidas numa materialidade “uncanny”.

Gary Shapiro , Earthwards: Robert Smithson- land art after Babel, 1995
« Os non-site, criada a dialéctica ente exteriores e interiores, são exemplos das explorações de Smithson entre o lugar e a sua similitude- o lugar, deslocação e locação.
Literal e alegoricamente, os “Não-lugares” confundem a ilusão da materialidade e da ordem.

«A relação de um Non-site com o Site é semelhante à da linguagem com o mundo: é um significante e o Site é o que é significado.»

Babel
Lacs de Robert Smithson «A heap of Language», 1966

Language
phraseology speech
tongue lingo vernacular
mother tongue king’s English
dialect brogue patois idiom slangy
confusion of tongues, Babel universal language
Esperanto Ido pantomime dumb show literature
letters belles-lettres muses humanities republic of letters
dead languages classics express say express by words polyglot
linguistic dialectal vernacular bilingual literary colloquial
Letter character hieroglyphic alphabet ABC consonant vowel
diphthong surd sonant liquid labial palatal cerebral dental code
guttural syllable monosyllable dissyllable polysyllable prefix suffix cipher
word term vocable name phrase root derivative index glossary dictionary lexicon
etymology philology terminology verbiage loquacity translate nomenclature designation
misnomer malapropism Mrs. Malapropos nominal titular cognomen patronymic title
misname miscall nickname take an assumed name misnamed so called self self-styled idiom
metaphor sentence proverb motto phraseology euphemism paragraph by the card grammar error blunder
diction solecism syntactical analysis nameless slip of the tongue appellation heading gibberish dog Latin
hieroglyphic neologism word coiner argot billingsgate pidgin English orthography terminology thesaurus cipher.

Spiral Jetty

Spiral Jetty

Spiral Jetty, projetam-se nas águas rasas na margem do Great Salt Lake de Utah. A narração do Smithson mostra a evolução do Spiral Jetty. Seqüências filmadas num museu de historia natural são integradas ao filme mostrando relíquias pré-históricas que ilustram os temas centrais do trabalho do Smithson. Um seguimento de um minuto foi filmado por Nancy Holt para ser incluído no filme porque o Smithson queria que Holt filmasse a “historia da terra”. Essa ideia surgiu de uma citação que Smithson encontroi… “a história da terra parece as vezes como uma história gravada num livro cujas páginas foram rasgadas em pequenos pedaços. Muitas das páginas e alguns dos pedaços de cada página ainda faltam”.

Smithson e Holt dirigiram-se até Great Notch Quarry em Nova Jersey, onde ele encontrou uma escarpa de 6 metros de altura. Ele escalou até o topo e atirou mãos cheias de paginas rasgadas de livros e revistas do cume da escarpa, enquanto Holt filmava.
(Ver filme na pagina dos vídeos )

Et in Passaic ego

(ET IN ARCADIA EGO- Poussin )
Passaic

(a) Utopia minus a bottom, a place where machines are idle, and the sun has turned to glass, and a place where the Passaic Concrete Plant (Formerly 253 River Drive) does a good business in STONE, BITUMINOUS, SAND, and CEMENT.

Rober Smithson -Passaic, New Jersey, em Janeiro de 1938.

Não há saída nem caminho para a utopia não há esse maravilhoso “para além ”, em termos de espaço de exposição.
Vejo que é inevitável; de ir para além dos limites, para além da separação, do entrópico. Mas mesmo isso tem limites.
Cada percepção isolada é essencialmente determinada. Não se trata de uma questão de forma ou anti-forma. É uma limitação. Não estou de todo interessado nos problemas da forma e da anti-forma, mas nos limites e no modo como esses limites se destroem a si próprios e desaparecem

Não se trata de uma questão do que é que eu gostava de fazer, mas de como as coisas resultam. Há limites estritos, mas eles nunca param até se fazer.

Verdadeiro espaço da arte é o mental- onde ela ocorre.

*Non-Site in Unpublished Writings in Robert Smithson: The Collected Writings, ed. Jack Flam, University of California Press, Berkeley, California, 2.ed. 1996.

Acerca de conceito- “uncanny”- consultar: Freud, The uncanny

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