A propósito da próxima ida à Exposição do MNAA- A Cidade Global- Lisboa no Renascimento, aqui ficam alguns textos de enquadramento.

«Assumindo-se como centro do comércio mundial, a cidade passaria a oferecer uma variedade impar de produtos de luxo, conforme Garcia de Resende daria conta nos versos da sua “Miscelânea”: ouro, prata, brocados/de mil feitios, muy fremosos/ entre talhos e borlados/ muytos e sotis chapados, muy ricos e pouco custosos:/ ricas sedas de mil fortes,/ alcatifas, chamalotes/ porcelanas, beijoins, / sinabafos, rambotis…. Era então enorme a azáfama na Rua Nova dos Mercadores em Lisboa. Situada perto do rio Tejo, em zona de comércio intenso, esta artéria da que era então uma das mais populosas cidades europeias, possuía um notável perfil urbano, com edifícios de habitação de cinco andares, onde o piso térreo era ocupado pelas mais bem fornecidas lojas de toda a Europa em matérias-primas e objectos provenientes do Oriente e de África, autênticos “gabinetes de curiosidades”. Uma turba de estrangeiros fazia de Lisboa uma verdadeira babilónia, enquanto os escravos e servidores negros engrossavam o número daqueles que contribuíam para o insólito cosmopolitismo da cidade, incompreendido por muitos visitantes estrangeiros.»

Paulo Pereira, “Lisboa Manuelina. Problemas de Conceito”, Revista de História da Arte 4 43-55, 2006
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«Cristovão Rodrigues de Oliveira, em inícios do século XVI, refere que do “Rossio, querendo ir para o mar, entram na rua Nova d’El-Rei, comprida e direita rua, que vai dar na grande rua Nova dos Mercadores, que por ser na principal parte da cidade e junto do mar ao longo dele, é lugar onde concorrem todos os mercadores e toda a mais gente de trato, que tem de comprido duzentos passos e de largo vinte; e sabe-se que rende em alugueres de casas oitenta mil cruzados”. Também o Padre Sande referiu, em 1584, que “há nesta rua, além d’outras coisas, edifícios admiráveis, de tantos pavimentos e com tantos inquilinos, que não se conhecem uns aos outros nem de cara nem de nome”15. Damião de Góis menciona que do Rossio, “passando a Praça Nova do Rei, que transborda de entalhadores, joalheiros, ourives, cinzeladores, fabricantes de vasos, artistas da prata, de bronze e de ouro, bem como de banqueiros, cortando á esquerda, chegaremos a uma outra artéria que tem o nome de Rua Nova dos Mercadores, muito mais vasta que todas as outras ruas da cidade, ornada, de um lado e de outro, com belíssimos edifícios”. E Francisco Javier Pizarro Gómez refere também que “Filipe II assistiu a várias representações teatrais alegóricas do dia da entrada oficial do monarca, realizadas na Rua Nova”17, ganhando a rua a dimensão de palco por excelência da cidade.».

14- C. Oliveira Sumário em que brevemente se contêm algumas coisas assim eclesiásticas como seculares que há na cidade de Lisboa (1551). Lisboa.1987. 19.
15- C. Oliveira, Sumário em que brevemente se contêm algumas coisas assim eclesiásticas como seculares que há na cidade de Lisboa (1551). Lisboa.1987. 103)
16- D. Góis Elogio da Cidade de Lisboa, 2002. 16.
17- F. Pizarro Gómez, “La jornada de Felipe III a Portugal en 1619 y la arquitectura efímera”, in II Simpósio Luso-Espanhol de História da Arte. As Relações Artísticas entre Portugal e Espanha na Época dos Descobrimentos. Coimbra, 123-146., 1987. 127

Paula André, A pré-existência do Cardo/ Decumanus no plano pombalino e a sua herança na Lisboa contemporânea


Rua Nova dos Mercadores



Rua Nova dos Mercadores




Rua Nova dos Mercadores, em Lisboa. Autor anónimo, c. …. Livro de Horas dito de D.Manuel (Ofício dos Mortos), atribuído a António de Holanda, 1517 – 1551, Lisboa – MNAA



Martírio de S. Sebastião, Gregório Lopes, 1536-1539. Lisboa, Museu Nacional de Arte Antiga, Inv. 80 Pint.


Largo do Chafariz

Plano de Lisboa no século XVI, gravura do Theatrum Urbium de J. Braunio (Georg Braun– gravura datada de 1593)


Jan Huyghen van Linschoten


O Leilão que se Faz cada dia pola menhã na Rua direita na Cidade de Goa Feito Polo natural por Ioan de Linschoten framengo..
Itinenerario

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